15 de março de 2012

BRASILEIROS DO BEM NAS CARICATURAS


                      Finalmente será lançado o livro “Brasil do Bem”, pela editora Virgo do cartunista Mário Mastrotti. Essa obra reúne um time de primeira de cartunistas e caricaturistas onde cada um criou três caricaturas de brasileiros ilustres, os caras que fazem um Brasil do bem, como diz o nome do livro.
          A coletânea traz nomes como Spacca, Fernandes, Humberto Pessoa, Bira Dantas, J. Bosco, Ricardo Soares, entre outros, além do próprio Mastrotti. Tive o prazer de ser convidado, e compareci com Milton Nascimento, Chico Xavier e Tom Jobim, meus ilustres brasileiros do bem.
        No próximo sábado, dia 17 de março acontece a sessão de autógrafos e lançamento do livro na Livraria HQ Mix (com endereço novo e mais bonita!) com a presença de vários caricaturistas que participaram, batendo papo e se divertindo com quem aparecer.
        Marque sua presença e vamos comemorar um Brasil de artistas do bem que desenharam gente do bem.


Lançamento do livro “Brasil do Bem”
Onde: Livraria HQMix – Rua Tinhorão, 124 – Higienópolis (em frente à FAAP)
Quando: 17/03/2012, a partir das 19:30 horas




6 de março de 2012

UMA HISTÓRIA CURTA SOBRE ALGUMA COISA COMUM


           Neste final do mês de março chega às livrarias e comics shop do país a segunda edição da revista argentina Fierro em sua versão brasileira (Editora Zarabatana, 160 páginas, R$ 59,00), trazendo artistas argentinos e brasileiros. A revista vem sendo publicada em seu país de origem desde início dos anos 80 e é considerada a principal publicação de quadrinhos da Argentina, trazendo grandes artistas como Maitena, Liniers, Horacio Altuna, Henrique Breccia, só para citar alguns nomes. E nessas idas e vindas, o Cláudio Martini, dono da editora Zarabatana me fez o honrado convite de participar da segunda edição. Grande satisfação, grande.
           A opção de qual história a se trabalhar veio depois de algum tempo cozinhando idéias, possibilidades e foi justamente do universo criado para uma série dentro de minhas tiras do Banda Mamão, “O senhor Kublica e as musas” que brotou uma possibilidade de contar uma hq rápida (seriam só três páginas) e de certa forma apresentar algo tão pessoal e ao mesmo tempo de todos que criam e vivem para transpirar idéias e talvez emoções.
           A série de tirinhas “O senhor Kublica e as musas” apresenta a figura de um artista, talvez um escritor, isso não deixei muito claro ainda, quem já viu, pode conferir, vivendo num universo real e ao mesmo tempo lúdico, onde suas questões pessoais, existenciais e artísticas o jogam de um lado para o outro o tempo todo. Kublica vive cercado por várias musas, suas fontes de inspiração, que como anjos da guarda vivem trazendo-o de volta dos umbrais por onde às vezes se joga para mostrar o quão possível às coisas podem ser se você realmente tiver a fé, crer no seu absoluto e divino potencial de criação. Essa é a tônica das tirinhas deste personagem.
           As figuras das musas sempre são apresentadas como garotas bonitas (mas normais, esqueçamos o universo nosso das siliconadas), vestindo sempre de uma maneira moderna e charmosa e o diferencial está no tom azulado de suas peles, algo gráfico mesmo, sem muito significado, digamos assim, mais para trazer a diferença dentro de uma história em quadrinhos. Na hq produzida para esta segunda edição da Fierro então, “A quem interessar possa” (roteiro e desenhos desse vosso escriba e cores do Omar), resolvi mexer um pouco mais nesse universo lúdico do criador e sua musa, trazendo um artista gráfico, um desenhista em crise profissional e artística, questionando-se até que ponto sua obra tem alguma validade, algum interesse para alguém, se vale a pena seguir adiante. Como disse, algo comum a todos que vivem para criar.
           Essa hq veio num momento pessoal onde este questionamento existia (e confesso que vez ou outra ainda está por aí), onde ao mesmo tempo a dúvida e o descrédito davam margem à presença de possibilidades, de crenças no que sempre fiz e faço, no meu ofício. O bem e o mal duelando dentro da cabeça. Vale – não vale a pena. Daí o artista ser eu e daí a musa também ser eu, dando o direito dela zombar algumas vezes dentro da história, do sentimento de auto-piedade e lástima do artista, tentando faze-lo perceber que o importante é prosseguir. Fazer.
           Numa primeira estância questionei-me se era válido expor algo que nem eu mesmo acreditava ser perene em mim, mas por outro lado tratava-se de momentos que às vezes vão e às vezes voltam e o trabalho proposto para essa revista carecia de minha intenção de sinceridade.
           Na verdade, a conclusão que chego constantemente, todos os dias e todos os momentos que sento na prancheta para produzir ou mesmo no micro para escrever uma história é que a cada momento eu aprendo, me descubro evoluindo, vejo que naquele dia aprendi a lição, e no dia seguinte, começa tudo de novo. Isso é muito sério e muito franco e é isso que me impulsiona a continuar e daí jogar um título nada sugestivo para esse trabalho para Fierro de “A quem interessar possa
          

28 de fevereiro de 2012

23 de fevereiro de 2012

GUARDANDO UM MOMENTO

            Desenho feito no caderninho de rabiscos durante o jantar dos cartunistas e caricaturistas que eu e o querido amigo Toni D'Agostinho organizamos todos os anos, aqui em São Paulo, no restaurante La Luna, aliás, quem não conhece, pode aparecer por lá, a comida é ótima. O desenho abaixo foi feito durante o último, ocorrido em dezembro passado. A intenção foi retratar de maneira super rápida o momento em que o Toni fazia uma caricatura da Dani, esposa de outro querido, o Gualberto, ou Gual, dono, junto com a Dani da Livraria HQ Mix.

14 de fevereiro de 2012

DO CLÁSSICO ORIGINAL PARA O CARTUM FINAL

       
             Vez ou outra, é interessante trazer alguns processos de criação por mais que o resultado final não seja algo tão exuberante assim, uma ilustração complexa, detalhada, nessa linha. No caso específico que trago para vocês, se trata de uma ilustração rápida feita num traço de cartum.
            Esse desenho foi feito dias atrás para uma agência que trabalho há algum tempo produzindo ilustrações para site e revista de um sindicato. Uma das melhores formas de trabalhar é quando o cliente, no caso tanto a agência quanto o sindicato, deixam que o desenhista trabalhe completamente livre dentro do seu campo de criação. É claro que, mesmo com essa liberdade, sempre é importante que ele saiba sobre seu cliente e para que se destina a ilustração.
  
   Mostro então um passo a passo dessa ilustração:


01- O quadro de 1901 do artista Giuseppe Pellizza de Volpedo, "O quarto poder", serviu como referência da ilustração para essa revista do sindicato. O quadro deste artista italiano é constantemente usado como símbolo de ações sindicais.
02-Estudo enviado para a agência já bem próximo do que seria feito na finalização, inclusive com a tonalidade de cores próxima ao quadro original para que assim o cliente entendesse bem a intenção da ilustração.
03-Arte definitiva sem cores ainda, finalizada no pincel e canetas.
04-E último estágio com a colorização do Omar, parceiro do estúdio, baseando no meu rafe e no quadro original.


           Costumo sempre dizer em alguns entrevistas que eventualmente dou para blogs, sites e revistas e mesmo em palestras para estudantes de desenho e comunicação, que é fundamental que o desenhista tenha uma razoável base de estudo, de conhecimento de arte, história, literatura e teatro, pois tudo soma para um trabalho, mesmo que, como disse, seja um resultado modesto como esse, mas acredito eu que eficaz.

9 de fevereiro de 2012

E AQUELE NOSSO PAPO, MAURO?

                      Quando uma pessoa morre, amigo, parente, conhecido, nos entristecemos, choramos pela lacuna que essa pessoa fará às nossas vidas. Choramos, entristecemos por, a princípio, não termos mais ela ao nosso lado. Choramos por nós, pela forma de amor que aquela pessoa, amiga, parente, namorada, o que quer que seja, leva embora, deixando aquele sentimento órfão de sua fonte. Algumas pessoas, mesmo que não tão presentes em nossas vidas, às vezes por um breve momento, deixam ali, na gente, o porquê do encontro dela conosco e muitas vezes, esse breve momento, vale para muitas outras existências O porquê dela naquele momento ter passado pela sua vida. E é por isso que devemos agradecer, reverenciar por ela ter feito parte de nossa vida, mesmo que dias, meses, anos ou algumas horas.
           Então, amigos, isso que agora escrevo para vocês é muito mais falando de mim, do que necessariamente de uma pessoa que há tão pouco tempo nos deixou. Desculpem-me, se pode parecer algo egocêntrico, mas não é. Na verdade é a forma de agradecer uma dessas pessoas que, passam pela vida da gente por um breve instante. Mauro dos Prazeres, que deixou essa existência dia 7 de fevereiro de 2012 aos 55 anos, se não me engano, é uma delas.
          Muito moço a gente diz, para ter ido, em meio há tantas outras coisas. Na verdade, o tempo para ele foi esse e para os que com ele desfrutaram o existir aqui. A gente ainda continua, talvez mais um pouco, ou talvez mais tempo ainda. Mauro segue, com certeza, por outros caminhos.
           Conhecemos-nos em agosto, se não me engano de 2009, quando seu sócio e co-fundador da Devir Livraria, Douglas Quinta Reis, me chamou para uma reunião interessado na publicação do meu trabalho Yeshuah.
           Vinha de muitas, muitas investidas em diversas editoras na intenção de publicar esse meu trabalho. Havia uma sede primária, voraz, pela publicação dessa hq, pois havia e há ainda, toda uma experiência quase visceral de minha descoberta de como eu realmente queria contar uma história em quadrinho. Havia passado muitas decepções em muitas editoras que havia batido à porta. Decepções que obviamente mexem com seu ego, exercitam a auto-piedade, levam sua auto-estima para um buraco muito fundo levando a crer na validade do que fez e principalmente se tudo ou um pouco, que seja, daquilo que você pensa ser. E por mais que os anos de trabalho, de vivência dentro do criar quadrinhos, no caso, te deixem mais maduro para encarar alguns fatos desagradáveis, tirar sua esperança  de um rebento, de um trabalho pessoal, é algo difícil de lidar.
           Enfim, naquele agosto de 2009, sentei-me com Douglas e Mauro para um bate-papo sobre Yeshuah. Mauro imediatamente começou nossa conversa questionando como eu enxergava a figura de Maria Madalena dentro do contexto da história de Jesus, se eu a enxergava como uma prostituta “arrependida”. Óbvio, ele já havia lido a boneca do primeiro volume, “Assim em cima assim embaixo” e por lá, estava perceptível que minha visão passava longe do que a igreja católica vinha e vem apregoando há séculos. Essa primeira explanação sobre o trabalho trouxe um tremendo sorriso no rosto do Mauro e aí então, entramos num papo que durou mais de uma hora sobre inúmeras questões que abrangem a história de Jesus: apócrifos, teosofia, textos antigos, mitos, o lado histórico, uma infinidade de questões. Eu entendera perfeitamente que ele realmente me sabatinava para saber se, aquele cara, eu, estava plenamente consciente do que me propunha a publicar com a Devir. Quem leu o primeiro volume do Yeshuah, pode conferir na bibliografia que há um livro do guru Osho sobre sexo tântrico, esse livro inclusive foi questionado pelo Mauro no interesse de saber onde a questão tântrica se adequava à história de Jesus. Claro que foi respondido e não vou me deter aqui, em minha resposta. Isso para mostrar até onde os questionamentos do Mauro foram, para realmente tirar tudo que fosse possível de um suposto autor de uma hq apócrifa sobre Jesus.
           Findada a conversa, Mauro apertou minha mão e disse estar plenamente feliz por publicar um trabalho como o meu.
            Saí da reunião com uma boa e estranha sensação de felicidade. Não apenas pelo fato de finalmente ter acertado a publicação do trabalho, mas por essa tão proveitosa conversa, indo além do meu desenho, traço, enquadramentos, ângulos e tudo mais, porém percebendo que tanto Douglas quanto Mauro, estavam interessados no cara que fez aquele trabalho. Isso, de alguma forma silenciosa e comunicativa com o inconsciente me fez muitíssimo bem.
            Cruzei meu caminho com o do Mauro outras vezes e estendemos ainda o assunto sobre questões religiosas, espirituais, mitológicas que ele conhece muitíssimo bem, pois mais que um homem culto, exacerbava sabedoria. Deu muitas idéias para futuros trabalhos. Quem sabe. A última vez que nos encontramos foi no evento da Devir, o “Virada Nerd”, falamos bastante e claro, falei com ele sobre a terceira e última parte do Yeshuah que venho trabalhando. Mauro mostrou-se muito curioso nessa finalização.
            Mas Mauro se foi dessa cena. Ele é uma dessas pessoas que passam rapidamente por sua vida e deixam gravado um momento plenamente especial. Talvez não tanto para ele, mas muito para mim. Pela sensação perene, inesquecível daquele bate-papo na editora e da sensação posterior. Me fez crer que sempre vale a pena. Sempre alguém vai te enxergar, mesmo que você mesmo não consiga enxergar isso.
           Deixa família. Muitos, muitos amigos com certeza. Seu amigo e parceiro de tantos anos, o querido Douglas Quinta Reis. A mim, ficou aquele momento de agosto.
          Quanto estive em seu velório, triste por alguém que não mais estava ali, só um corpo sem vida, não havia mais nada para se fazer.
           Voltando para casa lembrei daquela primeira reunião e de nossa última conversa e pensei num primeiro momento que o Mauro não iria mais ver a última parte do Yeshuah. Num segundo momento, me veio a idéia que não: com certeza, de algum modo, acredito que ele verá o fim dessa história.
           Assim acredito.